Life is Strange 2 é o novo jogo da série aclamada da desenvolvedora francesa Dontnod Entertainment. Pela primeira vez segue a história de outros personagens, e não tem ligação nenhuma com Max ou Chloe. O primeiro episódio foi publicado pela Square Enix em 27 de setembro de 2018 para PS4, Xbox One e PC.

Life is Strange 2 conta a história de Daniel e Sean, dois irmãos que, após um trágico acontecimento com seu pai, mexicano, são forçados a fugir dos Estados Unidos e seguir pela costa oeste do país. Nada mais justo que ter um nome como “Roads” (Estradas). O jogo segue com o mesmo gameplay utilizado nos outros da franquia, sem muitas novidades. Explorar o cenário, coletar itens, interagir com a maioria dos elementos a sua volta e principalmente apreciar um bom enredo — que com certeza não chega no nível dos outros, infelizmente.

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Após uma tragédia, os dois irmãos são forçados a fugir de casa.

A franquia se foca em fazer histórias ligadas a causas sociais importantíssimas, e isso é espetacular. Dessa vez, apostam em denunciar o racismo e xenofobia, mas no cenário americano, o que em tese seria ainda melhor. Na prática, a ideia não é tão bem executada. Tem muitas referências que somente pessoas que moram no país entenderiam e é fraca em alguns momentos. Deixar uma mensagem tão importante como foco principal do enredo foi seu maior erro. Já se falando dos personagens (no geral), achei-os bem rasos. Não são carismáticos e não fazem o jogador se apegar a eles, o que eu considero como a maior falha. Para piorar, ainda usaram também uma parte da fórmula que funcionou nos anteriores no protagonista caçula: ter um poder. E ainda não influencia no gameplay. Soou extremamente forçado, e ainda não explicaram qual é e como funciona. Talvez seria mais interessante se o enredo fosse totalmente realista, mas nos resta ver os próximos capítulos para falar mais.

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Mesmo com tantos acontecimentos tristes na trama, os protagonistas não cativam.

Posso ter criticado bastante o enredo, mas tenho que comentar sobre dois pontos que me surpreenderam positivamente. Apesar de usarem temas tão importantes a se debater de uma maneira falha, o jogo continua sendo uma grande forma de alertar como são destrutivos. O grande incidente que acontece com esse pai é causado apenas por conta de sua nacionalidade. Os migrantes são tratados de maneira pavorosa, e temos que abrir nossos olhos a isso. Em várias partes do capítulo, os dois jovens são esculachados por americanos, e sentimos na pele o quanto isso pode ser humilhante.

As mecânicas são as mesmas, e é angustiante saber que não inovaram em nada. É simplesmente resolver algum puzzle, interagir com o cenário, dialogar e seguir para outro lugar. Os puzzles não têm uma curva de dificuldade clara, sendo difícil às vezes e muito fácil outras, porém em sua maioria são bem monótonos; as interações não têm a mínima graça — são inúteis a ponto de fazer o jogador se desinteressar pela exploração –; os diálogos são uma parte razoável, que se desenvolve bem em relação à história que pretendem contar. Também não posso esquecer de um dos fatores mais marcantes: as famosas decisões. Infelizmente, é exatamente como em Before the Storm, onde não importa qual você escolher, acaba do mesmo jeito (em sua maioria). É estranha a forma com que eles acabaram com uma fórmula impossível de errar.

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A exploração é desinteressante.

O fator replay eu considero razoável, pois depende do nível de imersão que o jogador teve com essa experiência. Você pode terminar o capítulo entre 2 e 5 horas. No primeiro jogo, você tinha de tirar fotos de lugares específicos para ganhar certas conquistas, no segundo, tinha de grafitar algumas paredes, e nesse tem de sentar e desenhar algumas paisagens. Belo jeito para aumentar a durabilidade do jogo, e particularmente acho bem mais interessante que as outras.

A trilha sonora é uma das melhores da franquia se tratarmos de individualidade. Seu espírito folk combina muito com a jornada. Para mim, é a parte que mais acertaram, porém em poucas ocasiões senti que o clima do momento não se ligava tanto com a canção escolhida. Efeitos sonoros muito bons também, que refletem exatamente o necessário.

A direção de arte se superou em alguns quesitos e errou em outros. Em relação aos cenários, é tão bem detalhado que dá gosto de ver. É agradabilíssimo, retrata bem os Estados Unidos e tem uma paleta de cores bem relaxante se posso assim dizer — o que somado com a lentidão do jogo não dá tão certo, mas considero como ponto positivo. A ambientação dessa viagem ao redor do país é belíssima. Já sobre os personagens, são extremamente genéricos. No jogo original, até os NPCs tinham faces variadas, e nesse nem mesmo as dos protagonistas são satisfatórias. É um contraste que não consigo entender. Além de tudo, joguei no Xbox One, e a otimização é deplorável. Em certos momentos, era até injogável. Há quedas de FPS constantes, principalmente quando ao ar livre. Resta esperar por atualizações.

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O ponto mais forte do jogo é seu visual, apesar de tudo.

Todos os jogos anteriores começaram brilhantemente e terminaram decepcionantemente. Dessa vez, espero que seja o contrário, porque o começo já foi uma falha completa. Apostaram em uma mensagem muito forte, que acabou saindo forçada demais e pouco cativante. Também não inovaram em absolutamente nada e usaram sua fórmula de maneira errada na maioria das vezes. Resta esperar os próximos quatro capítulos. Espero ser surpreendido positivamente.


Conclusão

O primeiro episódio de Life is Strange 2 dá início a uma jornada sem muitas emoções e que usa temas muito importantes de uma maneira falha. Pode errar em inúmeros pontos e nem chegar perto da qualidade do jogo original, mas faz o jogador refletir sobre certos aspectos.


O melhor

  • Trilha sonora agradável e relaxante
  • Cenário florestal belíssimo
  • Novo sistema de conquistas: desenhos
  • Faz o jogador questionar certas doutrinas

O pior

  • Não inova em nada
  • Contexto mal aproveitado
  • A maioria das decisões são apenas uma ilusão
  • Personagens genéricos, seja em design ou personalidade
  • Má otimização

4,5/10

 

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