Análises

60 Parsecs! – Análise

O YouTube abriu uma grande brecha de oportunidades para jogos independentes se tornarem relevantes, mesmo que sejam produzidos por pequenas equipes. Foi isso que aconteceu com 60 Seconds!, que, após sua moderada viralização no site de vídeos, acabou por vender mais de um milhão de cópias, estando presente no Switch, PC e iOS. Agora, três anos após o lançamento deste, a Robot Gentleman lançou a sequência 60 Parsecs! para PC em 18 de setembro deste ano.

60 Parsecs! é um jogo que mistura os gêneros de aventura e sobrevivência, incluindo elementos de estratégia. Segue praticamente o mesmo enredo de 60 Seconds!, mas com uma nova camada de tinta para diferenciá-los. O jogo ainda conta a história de um grupo que deve sobreviver isolado após um apocalipse nuclear, mas, ao invés de um bunker embaixo da terra, os personagens agora devem sobreviver em uma nave espacial, podendo inclusive pousar em diferentes planetas no caminho.

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O grupo de personagens, em 60 Parsecs!, deve sobreviver no espaço após um apocalipse nuclear.

A estrutura do enredo lembra os antigos livro-jogos, apresentando uma história básica que se altera de acordo com as escolhas do jogador. A grande maioria do jogo consiste em ler textos, então um entendimento fluente de inglês é obrigatório. Dependendo de sues decisões, os personagens podem encontrar alienígenas, roubar gasolina extraterrestre, ser engolidos pelo solo, entre outras situações inusitadas. Os textos estão repletos de piadas de humor negro e alfinetadas inteligentes à paranoia anti-comunista estadunidense durante a Guerra Fria.

Após a escolha do capitão da nave entre cinco personagens diferentes, o jogo é dividido em duas seções de gameplay: em um primeiro momento, com o líder selecionado, o jogador tem 60 segundos para recolher a maior quantidade de itens possível para seu sustento na nave. Aqui, o capitão pode ainda trazer até três outros personagens.

60Parsecs_Recolha
Durante a primeira parte do jogo, o capitão deve recolher o máximo de mantimentos possível.

A segunda seção de gameplay, e a mais substancial, requer que o jogador sobreviva com os itens resgatados. Um dia por vez, seu assistente eletrônico reportará os acontecimentos do dia anterior, e você deverá fazer uma escolha no computador central. Algumas outras ações podem ser tomadas, como decidir se alguém (e quem) comerá, por exemplo. Dentro da nave, também existe uma máquina que permite a criação de novos itens a partir de ingredientes rudimentares e outra que permite que os personagens saiam em exploração, uma vez que a nave esteja pousada em um planeta.

A dificuldade de 60 Parsecs! depende muito dos itens adquiridos na primeira fase. Depois que o jogador descobre que a dificuldade do jogo é proporcional à quantidade de personagens que o capitão leva consigo na nave, tudo fica muito mais fácil. O jogo é extremamente desequilibrado nesse aspecto. A partir desse momento, sobreviver até o fim do jogo é simples. Com poucos tripulantes, porém, algumas tarefas opcionais não estarão disponíveis.

60Parsecs_Decisão
Uma escolha deve ser feita diariamente acessando o computador central.

A duração de cada partida é imensamente variável, podendo prolongar-se de alguns minutos a mais de uma hora, dependendo das decisões do capitão. O jogo incentiva o rejogar para descobrir novos segredos e decisões, mas as frases do assistente eletrônico e as questões oferecidas pelo computador são exageradamente repetitivas. A jogatina, mesmo que a segunda tentativa, já é monótona e tediosa. 60 Parsecs! funciona muito melhor como um jogo para ser jogado em curtas sessões, e só ocasionalmente.

A música é constante, mas não cansa. Cumpre seu papel sem chamar muita atenção para si. Os poucos efeitos sonoros que existem se encaixam no contexto do período de tempo representado.

60Parsecs_Relatório
As frases do assistente eletrônico se tornam repetitivas logo após a primeira jogatina.

A direção de arte de 60 Parsecs! é muito remanescente dos desenhos animados produzidos pela Adult Swim, como Bob’s BurgersMr. Pickles, mas também criando seu próprio estilo com um traço único. As animações são quase inexistentes na segunda fase do gameplay, estando presentes apenas na primeira, aonde são suficientemente boas e cartunescas. Grande parte da informação é transmitida através de ícones, e por vezes não são claras o suficiente.

A Robot Gentlemen conseguiu, sem dúvidas, aprimorar a fórmula criada em 60 Seconds!, mas ainda há muito a se melhorar e a empresa parece ter potencial para o fazer. Estarei esperando ansiosamente pelos próximos jogos da desenvolvedora.


Conclusão

Com um estilo de gameplay muito parecido com seu antecessor – porém muito aprimorado -, 60 Parsecs! consegue ser divertido, mas peca pela falta de variedade logo em seu ponto mais destacado: o enredo.

(Cópia para análise gentilmente cedida pela Robot Gentleman)

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