Análises

Hovership Havoc – Análise

O ano é 1983. Você entra normalmente no fliperama local, compra algumas fichas e insere a moeda na máquina de Tron™  — um jogo que foi um pioneiro, que marcou um estilo próprio de um mundo neon, com o conceito sendo aprimorado conforme novos jogos e filmes eram lançados. Mesmo que possivelmente nem sequer tenha sido uma inspiração, não posso deixar de considerar o estilo neon como um ponto positivo, uma vez que, sendo eu um apaixonado por ficção científica, essa foi uma das primeiras e mais agradáveis referencias que meu cérebro trouxe à tona quando comecei a jogar Hovership Havoc.

O objetivo é bem alinhado com o exemplo dado, segue um estilo arcade muito prazeroso: O jogador é incentivado a atacar os inimigos e destruir um número suficiente deles, para então obter a possibilidade de atacar e explodir o que se parecem com núcleos de força. Ao fazer isso, o jogador é levado ao próximo nível, no qual uma onda ainda mais forte e mais intensa é colocada, de forma que a quantidade e a dificuldade dos inimigos aumenta ate que, eventualmente, o jogador irá ser derrotado e poderá recomeçar rapidamente ou voltar ao menu principal. Entretanto, é justamente depois de ser derrotado pela primeira vez que há a possibilidade de ficar mais forte: uma vez que se recomece o jogo através do menu principal, uma opção para atualizar a nave faz com que seja possível utilizar os pontos ganhos nos últimos níveis como pontos de upgrade, para melhorar atributos como velocidade de voo, dano máximo, velocidade de disparo, alcance dos projéteis, vida máxima, ou a força da habilidade principal na nave selecionada.

Os inimigos começam pequenos.

Ao jogar pela primeira vez, qualquer um irá reparar: não é um trabalho fácil, depois de atirar por um tempo é possível perceber que a criação da Snow Day Software é capaz de impor um bom desafio ao jogador, Hovership Havoc não foi criado para ser derrotado, é um daqueles jogos que, no jeitinho Souls (mas sem a parte extremamente punitiva), servem para desafiar o jogador e encorajá-lo a ir mais longe e ficar mais cada vez mais poderoso. Entretanto, existem algumas dicas simples sobre como você pode sobreviver por mais tempo:

  • Ao ativar o poder especial de velocidade, a nave fica invulnerável a inimigos pequenos enquanto voa mais rápido, permitindo que se escape de situações de “saia justa” onde o jogador acaba sendo encurralado por uma grande quantidade de pequenos drones;
  • Ficar na defensiva se desviando de projeteis e atacando de uma distancia segura evitará que sua nave sofra danos desnecessários;
  • Saber como e quando usar as habilidades coletadas. Já que cada uma tem um determinado tempo de recarga, pode ser que, quando for necessário usá-la novamente, ela estará recarregando e, portanto, indisponível;
  • Os inimigos nunca vão utilizar nada que seja azul contra o jogador;
Quanto mais níveis se joga, mais fortes são os inimigos.

Além de existirem diferentes táticas, cada nave tem suas características e peculiaridades, uma delas dá mais dano mas atira com menos frequência, outra atira mais rapidamente mas causa pouco dano, outra é naturalmente mais rápida, e por aí vai, de forma que cada opção somada à habilidade especial dá ao jogador um diferente leque de possibilidades no que se relaciona a muitos estilos de jogo e formas de combate. Além de algumas naves, também são apresentadas várias habilidades que podem ser coletadas durante a gameplay e são ativadas com as teclas “q” para a primeira habilidade selecionada e “e” para a segunda. Essas habilidades apresentam as mais diversas utilidades, sendo ofensivas e defensivas, mas também muito criativas, indo desde um drone que dispara automaticamente, a serras que giram ao redor da nave, escudos contra projéteis, lança-chamas, ondas de choque e muitos outros efeitos interessantes os quais valem a pena serem testados e aproveitados um por um.

Habilidades diferentes, resultados diferentes.

Apresentando muitos elementos típicos do supracitado arcade, a Snow Day Software obteve sucesso ao criar um jogo simples com mecânicas interessantes, fazendo com que elementos como a repetitividade de cenários e inimigos se torne algo supérfluo, justamente por fazer o jogador sentir como se estivesse jogando em uma maquina de fliperama, tomando todos esses aspectos que outrora seriam negativos e fazendo com que eles sejam uma parte agradável do estilo do jogo em si, considerando também que é possível enfrentar bosses em certo ponto, adicionando uma nova forma de jogar.

Apesar da repetitividade de cenários e inimigos ser algo de certa forma positivo, uma das coisas que mais me aborreceu na hora de jogar foi a trilha sonora e os efeitos sonoros, ambos são tão repetitivos que nem mesmo o fato de fazerem parte do estilo do jogo conseguiu fazer com que ficassem mais agradáveis. Acabam, portanto, por ser uma característica negativa, uma vez que a repetição sonora faz com que a gameplay seja muito mais cansativa para o jogador por períodos mais extensos de tempo, fazendo com que o tempo que se gasta in-game pareça maior do que realmente é.

Como nos velhos tempos, memorize os movimentos do boss e será mais fácil derrotá-lo.

Com luzes por todos os cantos e com uma parte visual relativamente simples, Hovership Havoc tem uma qualidade gráfica muito boa. As geometrias das naves (as quais não chegam a ser muito complexas) foram muito bem elaboradas e executadas, fazendo com que, quando somadas aos efeitos de movimentação com luz e ao modelo bem trabalhado do piloto, criem uma aparência bela, interessante e arrojada para as naves. Mas não é apenas o gráfico do jogador que merece ser destacado, mesmo que não se tenha muito para se ver nos inimigos (uma vez que são todos construções simples criadas para atacar o jogador e usam cores que não são azul) eles também foram feitos com muito esmero, levando em conta até mesmo os mínimos detalhes, como as animações de movimentação, animações de disparo, comportamentos diferentes para inimigos com cores diferentes dentre outros.


Conclusão

Percebo que Hovership Havoc foi uma experiência bem curiosa, uma das primeiras obras em muito tempo a me relembrar o antigo estilo dos fliperamas com uma atmosfera contagiante de um mundo neon e um desafio para minhas habilidades motoras e raciocínio tático. É o jogo ideal para quem gosta de algo simples, divertido e desafiador, mas que não se importa com um pouco de repetitividade musical e de cenários.

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