Análises

Little Bug – Análise

A invenção do crowdfunding foi quase um milagre para os desenvolvedores independentes. Sites como Kickstarter, Indiegogo e Fig permitem que pequenas equipes, desde que tenham uma boa ideia, criem um jogo a partir de doações da comunidade, que em troca recebem recompensas. Este último possibilitou a concepção de Little Bug, o primeiro jogo da Buddy System, lançado em 25 de setembro deste ano para PC.

Little Bug é um jogo de plataforma e aventura que conta a história de Nyah, uma menina de 8 anos que faz seu caminho da escola à sua casa, aonde vive com sua mãe e sua irmã, Isa. Durante esse caminho, porém, Nyah encontra o espírito de um gato chamado Roadkill (inglês para atropelamento), que a leva a um mundo imaginário que requer que a garota trabalhe em conjunto com seu companheiro espiritual.

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O espírito do gato Roadkill guia Nyah a aventuras no mundo espiritual.

A história do jogo não é e não tenta ser complexa. Bem como na mente de uma criança, tudo — mesmo as coisas mais banais — é mágico e significativo. Os poucos diálogos são críveis, e o esforço da mãe de Nyah tentando cuidar das duas filhas é comovente. Toda a atmosfera criada mistura o maravilhamento infantil com essa sensação de cansaço e desesperança.

Quase todo o jogo se passa no mundo imaginário, aonde Nyah deve resolver seus conflitos interiores. Além da personagem principal, que apenas anda para a direita ou esquerda, o jogador ainda controla seu companheiro espiritual, que a auxilia para realizar saltos e movimentos mais complexos.

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O companheiro espiritual pode “puxar” Nyah em direção a si.

Os controles criam a dificuldade. Controlando Nyah com o direcional analógico esquerdo e seu companheiro espiritual com o direito, me tornei meu maior inimigo. Em todas as mortes — ou “ouchies”, como o jogo se refere a elas —, me senti culpado. O jogo nunca apresenta um grande desafio em questão de design do nível, mas tive de conciliar minha coordenação para conseguir passar de alguns obstáculos, o que por vezes demorou bastante. Não sei se isso aconteceu propositalmente, mas essa ideia de ser seu próprio inimigo cria um paralelo com as batalhas internas da personagem principal e de sua mãe.

Algumas vezes, no entanto, me senti frustrado por culpa do jogo. A animação de movimento do companheiro espiritual é suave, fazendo com que ele deslize um pouco mesmo após a soltura do direcional. Ainda assim, o jogo requer precisão, o que leva a seções deveras irritantes.

Durante o jogo, podem ser encontrados artefatos — comuns ou raros — que, acompanhados de uma descrição, contam um fragmento da vida de Nyah. Esses itens estão, em geral, escondidos ou em locais de difícil acesso, e podem ser armazenados na sua lancheira. Quando a lancheira está cheia, é possível oferecer um item a Roadkill, e no caso do mesmo ser raro, desbloqueará uma fase bônus no menu. O fator replay surge justamente da vontade do jogador de buscar todos esses objetos.

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Nyah guarda os artefatos encontrados em sua lancheira.

Durante a curta mas satisfatória jornada de cerca de uma hora e meia, me deparei com vários bugs diferentes. Em alguns momentos, caí e, não atingindo uma das mãos que me matariam instantaneamente, atravessei o cenário, me obrigando a voltar ao menu e reiniciar o jogo do último checkpoint. Por vezes, alguns itens da lancheira ficavam invisíveis quando abria a lancheira rapidamente. Também me deparei com alguns elementos do cenário parando de funcionar corretamente após várias tentativas em uma mesma seção (um travesseiro, que deveria fazer Nyah saltar, havia perdido essa capacidade). Felizmente, os desenvolvedores parecem estar ativamente caçando esses bugs para corrigí-los o mais rápido possível.

Os cenários no mundo real são interessantes, e o estilo de arte minimalista lowpoly do jogo – também visto em outros indies como Donut County e The Gardens Between – é um dos meus favoritos. Já no mundo imaginário, vários elementos são desenhados simulando um traço infantil que, abusando do rosa e azul fluorescente, além de uma escuridão quase completa no segundo plano, se tornam muito monótonos. As mesmas mãos rosas, por exemplo, estão presentes do início ao fim do jogo. Pode soar irônico, mas o mundo imaginário parece muito menos imaginativo do que o mundo real.

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Little Bug abusa dos mesmos elementos durante todo o jogo – o que se torna repetitivo.

A música que toca no menu principal de Little Bug é incrível, e esperava o mesmo nível de grandiosidade das músicas dentro do jogo. Elas, todavia, são discretas e não chamam muita atenção, apesar de serem boas à sua medida. Bem como as músicas, os efeitos sonoros são discretos.


Conclusão

Little Bug, em geral, é bem executado, com sua simples porém tocante história e gameplay interessante e relativamente inovador. No entanto, o jogo se beneficiaria com mais algum tempo em desenvolvimento.

(Cópia para análise gentilmente cedida pela Buddy System via IndieBoost)

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