Análises

Return of the Obra Dinn – Análise

A 3909 LLC, de Lucas Pope, desenvolvedora de outros jogos como Papers, Please The Republia Times, parece se especializar na criação de conceitos inovadores de jogabilidade. Com Return of the Obra Dinn, lançado em 18 de outubro de 2018 para PC, o desenvolvedor reafirmou esta tendência.

Return of the Obra Dinn é um jogo de puzzle que coloca o jogador na pele de uma detetive contratada para investigar o desaparecimento de 60 pessoas que estavam a bordo o navio fantasma que dá nome ao jogo. Com um relógio, essa detetive consegue voltar no tempo ao momento exato quando ocorreu a morte do cadáver que investiga. Como um daqueles “testes de Einstein” interativos, um acontecimento leva ao outro até que o jogador descubra todas as peças do quebra-cabeça.

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O relógio da detetive a permite se transportar ao momento exato da morte de um tripulante.

No início do jogo, o jogador é levado ao Obra Dinn por um senhor em uma canoa. Ao chegar lá, é deixado sozinho para investigar o destino dos 60 tripulantes do navio. A cada descoberta, o livro que ela carrega é lentamente preenchido, até se tornar um livro completo no fim do jogo. É muito difícil explicar a história de Return of the Obra Dinn sem spoilers justamente pelo fato de que ela é descoberta em pequenas fatias durante o gameplay, de acordo com as escolhas do jogador. Tudo que posso dizer é que o navio  foi alvo de muitas pragas no passado — sejam elas literais ou não — que o levaram ao estatuto de “fantasma”.

Os controles são bem simples. Apenas o mouse e as teclas WASD são utilizadas para movimentação da personagem e navegação no livro que ela carrega. Toda a jogabilidade consiste em navegar no livro, descobrindo os destinos de cada passageiro, e caminhar pelas memórias provenientes do relógio. O livro possui várias funções interessantes, e tirar um tempo para explorá-lo por completo é de grande ajuda para uma jogatina mais fluida.

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O jogador passa boa parte da jogatina explorando o livro.

A dificuldade — bem como a duração do jogo — depende da capacidade de cada um para dedução lógica, com base em informações adquiridas previamente, e para prestar atenção nos menores detalhes. Apesar de uma certa experiência com desafios de lógica, Return of the Obra Dinn ainda ofereceu um desafio para mim em certos segmentos, e minha jogatina durou cerca de sete horas na primeira vez. Na segunda, quando já conhecia todas as mecânicas a fundo e lembrava de vários destinos, completei o jogo em cerca de cinco horas.

Apesar de os destinos poderem ser rotulados de forma diferente (por exemplo, um tripulante que morreu atingido por um ferrão que atravessou seu peito pode ser registrado como morto empalado ou golpeado por ferrão), refletindo a impossibilidade da obtenção de informações precisas da detetive, a fator replay não é muito acentuado para jogadores que buscam uma experiência completamente diferente. Afinal, as mortes continuam iguais.

É impossível sair de uma memória a qualquer momento, então o tempo de espera para o fim da música às vezes foi um pouco irritante.

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Tripulantes que morreram de forma ambígua podem ser registrados com causas de morte diferentes.

As mortes de cada tripulante são muito variadas, e, apesar de incorporar elementos fantasiosos, ainda bastante críveis. Outro aspecto de destaque são os menus, que oferecem uma variedade de opções, incluindo a possibilidade de mudar o estilo gráfico do jogo para se assemelhar a diferentes computadores retrô.

A direção de arte em Return of the Obra Dinn é de tanto destaque que foi inclusive premiada no The Game Awards deste ano, contra jogos com orçamentos milhares de vezes mais altos. O estilo pontilhado inspirado em jogos retrô misturado com modelos tridimensionais cria gráficos nunca antes vistos, que permitem uma maior dramaticidade e remetem à inspiração da atmosfera do jogo em filmes clássicos em preto-e-branco.

As animações são escassas durante o jogo, aparecendo muito raramente. Enquanto diálogo ocorre, a única coisa na tela são legendas do que está sendo dito, e os momentos do passado são parados no tempo. Quando elas aparecem, porém, como na abertura do livro ou de portas, são muito fluidas.

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A direção de arte em Return of the Obra Dinn possui um estilo único que se encaixa perfeitamente com os temas do jogo.

Eu diria que a trilha sonora é a parte mais importante do jogo. Ele é algo que não pode ser jogado sem fones de ouvido, justamente por requerer extrema imersão e atenção. Felizmente, as músicas compostas por Lucas Pope, que lembram as de Papers, Please com instrumentos classicamente atribuídos a piratas conseguem levar os olhos do jogador à tela e contar a história por si só.

As mortes são precedidas por vozes e efeitos sonoros, que criam todo o cenário na cabeça do jogador, e cumprem esse trabalho maravilhosamente bem. O enredo do jogo se baseia muito no ritmo das músicas e efeitos sonoros, criando uma interligação que o aproxima de um grande teatro. A dublagem, essencial para o reconhecimento de vários tripulantes, é muito bem-feita e convincente.

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A trilha sonora cria grande parte do cenário do jogo.

Return of the Obra Dinn é mais um jogo surpreendentemente inovador de Lucas Pope, o estabelecendo como um dos maiores nomes da indústria. Sua trilha sonora impactante o distingue da maioria, e seu gameplay completamente novo é refrescante. A experiência de descobrir lentamente um enredo é inigualável e precisa ser tida para ser acreditada.


Conclusão

É difícil encontrar falhas em Return of the Obra Dinn. Tudo é tão polido e bem-planejado, completamente novo e familiar ao mesmo tempo. Não há nada parecido com este jogo no mercado, e ao fim eu só queria poder continuar investigando destinos de desconhecidos por mais horas a fio.

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