Análises

Slay the Spire – Análise

Na primeira que abri o jogo, Slay the Spire parecia, para mim, ser mais um indie pretensioso e demasiadamente complexo com uma curva de dificuldade exagerada. Por algum motivo, senti que seria um daqueles jogos feitos para “gamers de verdade”, daqueles que acham que um jogo tem que necessariamente ser extremamente difícil para ser digno, e daqueles que não têm paciência com iniciantes. Felizmente, para a minha surpresa, o jogo foi o completo oposto desse tipo de jogo, com um sistema de jogo simples, mas que mesmo assim consegue ser difícil quando necessário.

Selecionando o único personagem disponível de início, O Rígido, o jogador começa sua aventura na primeira batalha. O baralho jogável é bem simples, consistindo primariamente de cartas GolpeDefender, que causam dano ou adicionam proteção, respectivamente. Ao fim de cada batalha, recebem-se recompensas, nomeadamente moedas e uma carta escolhida entre três aleatórias para se adicionar ao baralho, e possivelmente uma poção. Em batalhas contra inimigos de elite, também se recebe uma relíquia.

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O jogador vai montando seu baralho gradualmente, à medida que vence batalhas.:

A desenvolvedora MegaCrit aplica, em Slay the Spire, elementos de estratégia de uma forma bastante inovadora. O jogador deve planejar uma estratégia de montagem de baralho à medida que cartas vão sendo adicionadas a ele, adaptando seus planos às aleatoriedades do caminho. De nada adianta tentar criar estratégias para cada combate se seu baralho não foi previamente planejado. Mesmo assim, o jogo não requer um planejamento excessivo que te distraia do gameplay. Minha estratégia de escolha foi se desenvolvendo enquanto eu jogava, perdia, e tinha que recomeçar de novo e de novo, por exemplo. Algo que permite a estratégia durante cada combate é saber o que cada inimigo fará no seu próximo turno, assim como em Into the Breach, outro jogo que gosto muito.

Quando você joga uma vez com O Rígido, A Sorrateira é desbloqueada, e depois disso O Defeituoso. Cada um deles possui cartas — vermelhas, verdes e azuis, respectivamente — e efeitos próprios, mas algumas cartas — incolores — podem ser usadas por todos. A campanha dos três é constituída por caminhos em uma torre, que podem ser uma variedade de eventos diferentes, e também fazem parte da sua estratégia para vencer o jogo. Ao final de cada ato, um chefão super poderoso deve ser derrotado. Os eventos podem ser:

  • Inimigos: a variedade mais básica do jogo. Você utiliza o seu baralho para derrotar os inimigos enquanto garante a sua sobrevivência;
  • Elite: uma batalha contra inimigos mais poderosos, mas que também concedem recompensas mais poderosas caso derrotados;
  • Tesouro: um baú do tesouro que dá ao jogador algum item especial, geralmente uma relíquia;
  • Vendedor: onde você gasta as moedas que ganha em cada combate em troca de novas cartas, relíquias, poções, ou até mesmo de um serviço de remoção de cartas indesejadas;
  • Desconhecido: um evento que pode ser qualquer um dos eventos acima, ou um evento que se assemelha aos antigos jogos de aventura e de exploração de masmorras, onde o jogador seleciona opções em um menu de texto para receber recompensas ou realizar trocas arriscadas;
  • Descansar: uma fogueira onde o jogador pode escolher descansar, recuperando pontos de vida, ou forjar, melhorando uma das cartas em seu baralho — o que pode aumentar o dano causado, a proteção recebida, entre outras melhorias dependendo da carta em questão.
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Um evento “desconhecido” pode oferecer situações inusitadas, sejam elas positivas ou negativas.

Algumas cartas, poções e inimigos podem conceder efeitos ao jogador ou aos monstros. Esses efeitos são variados, mas os símbolos que os representam e a capacidade de ver exatamente o que cada um deles faz ao passar o mouse por cima do personagem afetado tornam o aprendizado fácil e a memorização rápida. Algumas estratégias podem tomar partido desses efeitos. A Sorrateira, por exemplo, possui muitas cartas que concedem Veneno. As relíquias, por sua vez, possuem efeitos que, apesar de ocasionalmente instantâneos, geralmente duram até o fim do jogo.

Slay the Spire conseguiu fazer algo raro nos jogos que analiso. Em algum tempo, eu tinha esquecido completamente que deveria estar fazendo uma análise do mesmo. Me senti tão imerso naquele gameplay que queria continuar jogando não porque precisava completá-lo para o site, e sim porque queria testar novas estratégias, ver quais desafios me esperavam mais à frente e descobrir as cartas e relíquias que ainda não tinha descoberto.

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gameplay do jogo é extremamente viciante e divertido.

As músicas do jogo são envolventes e não cansam apesar da repetição. Os efeitos sonoros também são muito satisfatórios e claramente feitos com muito cuidado e atenção aos detalhes. Cada ação, desde selecionar um caminho ou comprar uma carta até atacar um inimigo ou se defender, tem um som próprio e, apesar de obviamente fabricados, são bastante certeiros.

Algo que me decepcionou, porém, foi a direção de arte do jogo. Os desenhos, na sua maior parte, parecem amadores e tem um aspecto pouco refinado, remetendo a fanarts comuns em sites como o DeviantArt. O jogo aparenta não ter nenhuma filosofia artística em específico, seguindo um visual medieval genérico. O design das cartas também é básico e carece de personalidade. Os personagens confundem, com alguns sendo claramente bidimensionais enquanto outros se parecem modelos em 3D. Essa ideia, que funciona em Dead Cells, não foi propriamente realizada aqui.

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A direção de arte deixa a desejar.

Conclusão

Slay the Spire é um dos jogos mais divertidos e refinados do ano, seja em seu sistema de jogo, seus elementos de estratégia, suas possibilidades de escolha ou sua trilha sonora. Por isso mesmo uma direção de arte tão pobre me surpreende.

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