Análises

Sunlight — Análise

Essa é uma das análises mais desafiadoras que eu já escrevi. Não porque Sunlight é um jogo particularmente difícil de se completar — muito pelo contrário, sua dificuldade é praticamente nula — mas porque ele destoa tanto da definição que temos de um videogame, e ao mesmo tempo apresenta uma experiência que é tão subjetiva e tão diferente para cada pessoa que a vive. Ele é, mais precisamente, um conto narrado com visuais e elementos interativos para acompanhar.

Sunlight é um simulador de caminhada desenvolvido e publicado pela norueguesa Krillbite Studio — mesmos desenvolvedores de Mosaic e Among the Sleep — para PC em 14 de janeiro de 2021. Ele conta uma história quase hipnotizante, com temas abstratos e metáforas. Essa é contada enquanto o jogador anda por entre as árvores de uma floresta por várias vozes diferentes, cada planta possuindo uma. Por causa desse enfoque narrativo, os elementos de gameplay são mínimos, podendo o jogador apenas caminhar e apanhar flores que vão aos poucos formando um buquê.

O jogador vai coletando flores para seguir com a narração da história.

Eu sou um fã de jogos reflexivos, e Sunlight não me decepcionou. Uma história que parece banal a princípio evolui para incluir reflexões sobre os assuntos mais variados, dependendo das experiências de vida de cada jogador. Eu tirei dele lições principalmente sobre a morte e a finitude de tudo que vivemos. Por exemplo, é possível encostar em uma árvore para ouvir sua voz em mais destaque, caso você goste dela — mas é inevitável que, eventualmente, você tenha que mover em frente e pegar a próxima flor para continuar a história, obscurecendo a voz que uma vez era a mais alta a algo inaudível.

Os lindos gráficos pintados à mão complementam a estética sonhadora do jogo, assim como a trilha sonora. A paisagem sonora de Sunlight é impressionante, e é imprescindível jogar como fones de ouvido em som surround, para ter a experiência completa em 360 graus. É algo, ao mesmo tempo, relaxante e transcendental. A canção única que acompanha todo o jogo é “Hino dos Querubins”, clássico de Tchaikovsky, sendo ela a obra mais fantástica — no sentido de “o que só ocorre na imaginação” — que eu consigo pensar.

Os gráficos de Sunlight são extraordinariamente lindos.

Infelizmente, o jogo ainda possui apenas áudio e legendas em inglês, então entender a língua é essencial para aproveitá-lo. Se isso não for um problema, porém, é uma experiência imperdível. Em sua curta duração de pouco mais de meia hora, Sunlight me fez arrepiar e quase chorar diversas vezes, e nunca por ser exageradamente melancólico nem nada do tipo, mas por fazer refletir e trazer realizações inesperadas que tocam o âmago de qualquer um, mesmo que de formas diferentes.


Conclusão

Eu nem me sinto muito confortável falando de Sunlight. Ele é uma experiência tão íntima e pessoal que o ideal é vivê-la no seu próprio tempo — mergulhar nessa história transcendental sem qualquer ideia do seu desenrolar e psicologicamente preparado para revisitar seu próprio passado em uma viagem com um destino agridoce.

(cópia para análise gentilmente cedida pela Krillbite Studio)

(não incluímos o fator “Jogabilidade” abaixo, porque sentimos que este não faz jus ao jogo em questão)

Comments (0)

Deixe uma resposta

Não perca nenhuma novidade!
%d blogueiros gostam disto: