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Teratopia — Análise

Manter um tom consistente é importante, mesmo para jogos que não apostam todas as suas fichas em sua narrativa. Esse é, a meu ver, o maior problema de Teratopia. Visuais e canções infantis combinadas com designs adultos e piadas inapropriadas criam um jogo que parece confuso quanto ao seu público alvo. E o pior, sem ideias ou uma jogabilidade para sequer criar uma fundação de qualidade.

Teratopia é um jogo de ação e plataforma em 3D desenvolvido pela Ravegan e publicado pela Eastasiasoft em 20 de janeiro de 2021 para PC, PlayStation 4, Switch e Xbox One. O mundo é dividido em 13 fases, em um total de 11 chefões. Apesar do enredo ser bastante mínimo, ele conta com algumas cutscenes, principalmente para apresentar cada chefe. O jogador começa jogando com Tucho e deve resgatar seus amigos azuis, verdes e amarelos de alienígenas vermelhos que invadiram seu planeta. Com o tempo, também é possível desbloquear Benito e Horacio, também jogáveis. Cada um deles também possui 5 unidades invocáveis para ajudá-los, bem como uma combinação de poderes especiais.

Tucho, Benito e Horacio contam com lacaios que podem ser sumonados para ajudar no combate.

Apesar de aparentar ter certa variedade de gameplay, o jogo é tudo menos isso. Antes de cada chefão, o jogador tem que passar por inimigos “normais”, que se repetem e repetem em cada fase. Os chefões parecem desafiadores a princípio, mas cada um deles possui apenas dois ou três ataques diferentes, então é possível passar por cada um facilmente depois de reconhecê-los. Tucho, Benito e Horacio possui as mesmas animações para seus ataques, mudando apenas o efeito de cada um. Igualmente, os cinco lacaios disponíveis para cada um também são iguais. O jogo tem um sistema de níveis, mas ele serve melhor como um tutorial prolongado, já que o jogador não escolhe o que desbloquear e os desbloqueados a cada nível são pouco mais do que os movimentos que se esperaria em um jogo de plataforma em 3D. Essa repetitividade, combinada com uma falta completa de inovação, seja técnica ou artística, resulta em uma experiência entediante e imemorável.

Os chefões podem parecer desafiadores, mas é só impressão.

Algumas escolhas dos desenvolvedores são no mínimo intrigantes, e completamente avessas ao que seria mais cômodo ou mais divertido ao jogador. Por exemplo, quando o personagem principal morre em alguma fase, Teratopia leva o jogador à seleção de fases, depois para a seleção de personagens, e então o jogador começa a fase do início novamente. É um transtorno desnecessário, quando teria sido muito mais encorajador dar respawn no jogador imediatamente, mesmo que os desenvolvedores quisessem que ele começasse a fase do zero. O personagem também leva dano de quedas, mesmo que de uma altura muito baixa, ideia quase oposta ao próprio conceito de um jogo de plataforma. Assim, para evitar danos, o jogador é forçado a dar uma volta no mapa a passo de caracol.

As canções e efeitos sonoros do jogo são condizentes um com o outro, que já é mais do que posso dizer sobre quase todo o resto de Teratopia. Eles parecem ter saído de um programa infantil, daqueles bem clichês. São competentes, mesmo que ligeiramente repetitivos. O mesmo não pode se dizer da arte do jogo, que é seriamente antiquada, e que eu esperaria ver em um jogo lançado há uma década. Os gráficos coloridos e vibrantes são bastante clichês, parecendo ter saído de um jogo de Littlest Pet Shop ou My Little Pony. Tanta simplicidade, e mesmo assim o jogo engasga demais, estando claramente muito mal otimizado. Para ser sincero, é um dos jogos mais mal-otimizados que eu já vi, e não sei como os desenvolvedores conseguiram chegar nesse feito com gráficos tão rudimentares.

Os modelos, animações e texturas parecem ter sido feitos há mais de uma década.

Um dos aspectos mais bizarros do jogo é o design dos personagens. Enquanto Tucho, Benito, Horacio e seus amigos têm aparências infantis e cartunescas, assim como os inimigos normais, os chefões foram criados com características bastante destoantes e com piadas visuais antiquadas, como peitos grandes ou um cigarro de maconha. Tenho de elogiar, porém, a localização do jogo, que conseguiu transformar texto original de baixa qualidade e com piadas infames em algo mais palatável e até mesmo divertido por vezes.


Conclusão

Teratopia é um jogo que não sabe de que gênero é, não sabe qual é seu público-alvo e parece não conseguir decidir em um tom para manter. Mesmo sem considerar a espantosa falta de ambição, ele falha até mesmo nos conceitos mais básicos, resultando em uma experiência igualmente entediante e frustrante.

(cópia para análise gentilmente cedida pela Eastasiasoft)

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