Análises

The Red Strings Club – Análise

A indústria espanhola de jogos independentes teve grande destaque no ano de 2018. Seja por Moonlighter, desenvolvido pela Digital Sun em Valência, ou GRIS, desenvolvido pela Nomada Studio em Barcelona, todos os jogadores foram bem servidos de jogos incríveis criados no país ibérico. The Red Strings Club, da valenciana Deconstructeam, publicado pela Devolver Digital em 22 de janeiro de 2018, não foge à regra e oferece uma experiência de extrema qualidade.

The Red Strings Club é um jogo de aventura que conta a história de Donovan, um barista dono do bar que dá nome ao jogo e corretor de informações, e Brandeis, seu parceiro. O jogo já começa com Brandeis caindo de um prédio, e logo depois corta para o passado, de onde o jogador remonta todo o enredo até chegar naquele ponto. Em vários momentos, devem ser tomadas escolhas importantes de diálogo que mudam o desenrolar da trama. Essas escolhas podem ser vistas em um quadro, representadas por fios vermelhos, do inglês “red strings”. A jogabilidade é muito variada, composta por minijogos diferentes.

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A história já começa com um momento marcante: Brandeis caindo de um prédio.

A narrativa é espetacular. Não apenas conta uma história que me prendeu do início ao fim como cria várias reflexões sobre o valor da vida, da felicidade e sobre a humanidade. É difícil descrever em poucas palavras a profundidade que The Red Strings Club imprime em seu enredo. Mesmo com poucas horas de jogatina, o jogo me deixou pensando seriamente em questões éticas relacionadas à tecnologia, na necessidade do caos para a evolução e na importância da tristeza. Sobre este último, um dos personagens do jogo cita uma frase que me marcou: “Só conhecemos o doce porque conhecemos o amargo.”

Com uma atmosfera altamente inspirada em clássicos do cinema cyberpunk como Blade Runner Akira, The Red Strings Club consegue criar situações genuinamente tensas através de uma sequência de eventos levemente alterada, com alternâncias de perspectiva e saltos temporais. Além de tudo isso, o final do jogo é um dos melhores que eu já vi na história dos videogames. Me deixou pasmo, comovido e pensativo ao mesmo tempo, abalando as minhas estruturas emocionais. Ele não só põe um fim à história como cria uma narrativa completamente nova dentro da cabeça do jogador.

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A atmosfera de The Red Strings Club é inspirada em filmes como Blade Runner Akira.

A jogabilidade varia muito, já que grande parte das seções de gameplay são compostas por minijogos. A única mecânica que se repete constantemente, além da escolha de opções de diálogo, é o minijogo que consiste em servir bebidas para os clientes do bar de Donovan, que também serve como uma opção narrativa, já que, dependendo da quantidade e mistura das bebidas, uma emoção diferente pode aflorar. O jogo pode ser jogado só com um mouse, já que todas as atividades são fundamentalmente point-and-click. Alguns minijogos podem ser entediantes, em especial se contrastados à narrativa. Em vários momentos, me vi tentando completá-los o mais rápido possível para voltar à história de Brandeis e Donovan.

The Red Strings Club está longe de ser difícil, e isso não é um defeito. Se o jogo fosse muito difícil, possivelmente tiraria o jogador da narrativa, que é de fato o ponto central. Completei a história do jogo em cerca de cinco horas, e uma jogatina normal não deve durar muito mais ou muito menos do que isso. Um replay é possível caso o jogador tenha interesse em ver o que aconteceria caso ele escolhesse outras opções de diálogo, mas o final do jogo varia pouco.

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A maior parte do gameplay do jogo é composta por minijogos point-and-click.

A música do jogo é tensa e desoladora, combinando muito bem com a atmosfera e com os temas principais do enredo. Um ponto interessante — que não consigo explicar tecnicamente — é a relação entre a trilha sonora e a personalidade dos personagens em cena. Por muitas vezes, senti que a música que tocava combinava com perfeição com o personagem que aparecia no momento. Os efeitos sonoros combinam com a atmosfera e a direção de arte.

Os gráficos de The Red Strings Club são majoritariamente compostos por sprites em pixel art, e são lindíssimos. A direção de arte consegue ser única, cheia de estilo e personalidade. Os personagens também são criados com características específicas que os tornam de fácil reconhecimento, o que ajuda muito em certas partes do jogo. As animações são fluidas o suficiente, mas em especial os efeitos de cenário, como chuva, merecem destaque.

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A direção de arte é um grande acerto.

Nunca um jogo de videogame me fez refletir tanto e sobre tantos assuntos. The Red Strings Club tenta — e consegue — proporcionar algo que poucos jogos conseguem, dando um passo significativo para o reconhecimento desta forma de mídia como arte.


Conclusão

Carregado de filosofia, The Red Strings Club consegue capturar o jogador dentro de uma narrativa profundamente controversa e cheia de dualidades com uma jogabilidade simples mas satisfatória, chegando a seu ápice com um dos melhores finais que um videogame já ofereceu.

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