Análises

We Happy Few – Análise

Seria incrível ver algum jogo inspirado em Bioshock dar certo. Ao ser anunciado na E3 de 2016, We Happy Few demonstrava traços marcantes de terror, uma premissa interessantíssima e tinha um grande potencial. É um jogo exclusivo da Microsoft, desenvolvido pela Compulsion Games e publicado para Xbox One e PC.

We Happy Few é um jogo que mescla vários gêneros: stealth, sobrevivência, aventura, terror e RPG. Nele, o país, frágil após sofrer as consequências da Segunda Guerra Mundial, força seus nativos a tomarem pílulas que funcionam de modo a alegrá-los. Quem se rebela é censurado, perseguido e morto. No papel, o título é sensacional. Qualquer um botaria fé.

O enredo tem um background particular. Imagine que a Alemanha ganhou dos Estados Unidos em meados de 1940. A Inglaterra virou uma terra desolada, com vários problemas econômicos, políticos e assim vai. Para tentar se reerguer, só pensaram em uma solução: esquecer de seu passado. Logo, criaram remédios praticamente obrigatórios para a população, que tinham o efeito de animá-las e não ver tudo o que houvesse de ruim. Colocaram também parte dela para censurar todas as mídias e jogar fora todos os vestígios dos fracassos do país. Essa distopia é vista por três olhares, de três diferentes personagens — e nenhum deles é marcante —, mas que também viviam no meio dela. As três histórias pessoais são mal contadas e fracas, não trazem carisma e tem protagonistas extremamente genéricos. Já a trama principal é contada de forma ainda mais ridícula. Não entendo como fizeram uma ideia tão interessante se tornar tão vazia, seja pelos inúmeros diálogos sem razão — aposta em ser cômico quando deveria ser intrigante — ou pela experiência horrível em mundo aberto. Na minha opinião, a única parte boa é o visual – e olhe lá.

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Após a Segunda Guerra, a Inglaterra passa por um sufoco.

O mundo pode ser ruim no enredo, mas consegue ser muito pior quando se trata de gameplay. Você é apresentado a milhões de coisas para fazer, e a verdade é que só consegue correr, atacar de maneira muito surreal (no sentido ruim) os inimigos e craftar. Sobre as perseguições, você pode estar na rua e de repente todos os habitantes da cidade quererem te matar incessantemente. Isso é frustrante. A inteligência artificial é uma das piores que já vi. Tanto a quantidade de jeitos que dá para enganá-la ou a de bugs é assombrosa. Já sobre o crafting, é uma das melhores partes, apesar da incoerência sobre certos itens ou sobre seu próprio uso. É fácil e intuitivo, e ajuda bastante na jogabilidade em si em questão de diversão.

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Você pode ser perseguido em momentos aleatórios.

A dificuldade é bem descomplicada, apesar dos certos ataques aleatórios que mencionei há pouco. Essa falta de desafios é também um dos fatores contribuintes para sua enorme monotonia. O fator replay é razoável e a duração é relativamente grande (em média 15 horas), mas de nada adianta se não mantém o jogador entretido. Até a sua atmosfera que era para ser amedrontadora não traz emoção alguma.

A parte sonora por completo é medíocre. A trilha sonora se esforça para tentar criar algo tenso e falha completamente; os efeitos sonoros são comuns, mas não pecam em nada; a dublagem é a melhor parte entre essas três.

A direção de arte é, na minha opinião, a melhor parte. Não considero esse estilo totalmente exclusivo desse jogo, mas é muito detalhado e agradável. Tem uma grande influência da franquia Dishonored (assim como seu falho gameplay).

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A arte do jogo é claramente inspirada em Dishonored.

Os personagens, apesar de escassos, têm uma aparência agradável. O cenário é variado, tem uma paleta de cores adequadíssima e de muita qualidade. A única coisa que realmente estraga a direção de arte são as animações. São extremamente robóticas.

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As animações são muito robóticas.

We Happy Few é um jogo que deixa suas inúmeras influências muito expostas e não tem uma identidade própria. Peca em quase todos os quesitos e ainda se perde em meio a tantos elementos que tenta impor. Felizmente, a Compulsion Games só tem a ganhar após a aquisição pela Microsoft.


Conclusão

We Happy Few é sobretudo um jogo mal organizado e sem identidade. Se inspirou em grandes jogos, mas cai em um limbo de más execuções e ainda deixa evidente que não passa de uma cópia. O jogo tinha um potencial gigantesco para se tornar um clássico, mas desperdiça tudo facilmente.

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