Life is Strange: Before the Storm é um jogo desenvolvido pela Deck Nine Games e publicado pela Square Enix para PC, Xbox One, Ps4 em 2017 e para todas as plataformas mobile no início de 2018. O primeiro episódio foi lançado em 31 de agosto de 2017, o segundo em 19 de outubro de 2017, o terceiro em 20 de dezembro de 2017 e o episódio bônus em 5 de março de 2018. É o segundo jogo da série Life is Strange, sendo uma prequela para seu antecessor, e não é feito pelos mesmos desenvolvedores.

Before the Storm conta como foi parte da adolescência de Chloe Price, uma das personagens mais memoráveis de Life is Strange. Como consequência da mudança de protagonista, seus poderes também mudaram — se é que posso chamá-los de poderes. Max podia voltar no tempo, enquanto Chloe pode convencer qualquer um a fazer o que ela quiser (desde que o jogador acerte em escolhas de diálogo). Esse é uma das provas de que esse jogo é mais pé no chão do que o anterior, até em questões de enredo.

Após uma confusão em um show de rock, criminosos ameaçam a protagonista, e Rachel, sua colega de sala, a salva. Elas terminam a noite juntas, curtindo a boa música e se divertindo muito. Chloe era a garota mais rebelde de seu colégio, enquanto Rachel era a “patricinha”, querida por todos. O jogo traça o relacionamento forte das duas e o desenvolve muito bem. Sua união é inesquecível. O jeito com que elas resolvem ou lidam com os problemas que surgem é fenomenal, e acima de tudo realista. Rachel liberta o lado mais puro de Chloe e vice-versa.

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A noite do show foi o início dessa amizade.

O enredo do primeiro capítulo é apenas uma boa introdução. Apresenta personagens bem, apesar de ser monótono em certas partes. Mostra superficialmente como as duas protagonistas são, até o momento final, onde algo revelador acontece, e se encontram em um estado de raiva. Cometem verdadeiras loucuras, brigam e demonstram exageradamente o estresse/preocupação adolescente.

O segundo capítulo é o ponto alto de sua jornada, e na minha opinião é o melhor capítulo da série inteira até hoje. A qualidade subiu rapidamente. Mostra intrinsecamente as duas, seus pontos fracos, o que o amor pode fazer com a cabeça das pessoas e ainda dá diversas lições de vida.

Já no terceiro capítulo, o jogo falha miseravelmente. O jogador cria expectativas altíssimas para a conclusão da história e tudo vai por água abaixo. Usam de uma maneira estranha um acontecimento bombástico, o que o faz parecer fraco. Ainda pior, o jogo termina de um jeito emocionante — talvez animador para a maioria — e a cena pós-créditos avança muito na história, mostrando algo terrível que te leva para o fundo do poço. Não dá nem tempo de respirar. Uma quantidade maior de capítulos seria benéfica, seja para explicar mais fatos em aberto ou para tudo não acontecer de maneira tão rápida.

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O jeito com que o jogo desenvolve as duas personagens é o mais emocionante possível.

Um ponto importante do enredo são os sonhos de Chloe. Quando ela dorme, sonha com seu pai, que morreu após um acidente de carro em um dia que foi buscar sua esposa no mercado. As memórias de seu pai são sua parte mais obscura, mas também a que expõe suas fraquezas. O bom é que o jogador pode realmente conversar com ele, mas muitas vezes essa experiência termina pela metade, já que pode se tornar um pesadelo. Algo interessante nesses sonhos é que se você entrar no diário da Chloe enquanto está nessas seções, você descobrirá vários easter eggs — entre eles conversas de texto com outros personagens, mesmo que mortos, imagens e desenhos — pesadíssimos sobre o universo do jogo. Se você for fraco psicologicamente e grande fã do Life is Strange original, nem veja.

O jogo se passa em Arcadia Bay, a mesma cidade do anterior. Mostra lugares diferentes e te leva a outros que você já conhecia e que carregam uma grande carga emocional. É incrivelmente bem-planejado, e a história se alia a ele para criar momentos inesquecíveis para quem jogou. Pequenos detalhes, como alguém te mostrando uma foto do ferro-velho da Chloe, por exemplo, podem arrancar uma lágrima.

Seu gameplay é resumido ao sistema de escolhas, ao de enfrentamento (seu “poder”) e a alguns puzzles bem simples para resolver situações descomplicadas. Sobre as escolhas, achei as do primeiro episódio boas, mas com pouca importância/dificuldade, as do segundo impactantes e extremamente difíceis e as do terceiro escassas e fracas. Elas são o que move o enredo e levam seus diálogos a novos lugares, mas como o primeiro jogo da série já havia mostrado como as personagens estarão no futuro, a maioria deles não são tão surpreendentes.

Sobre o poder de Chloe, achei muito bem utilizado no primeiro capítulo, razoavelmente bem utilizado no segundo e mediano no terceiro. Eles servem para você conseguir o que quiser, e foi uma escolha coerente tendo em conta a personalidade de Chloe. Infelizmente, alguns te levam a falar coisas horríveis sobre quem você está enfrentando mesmo que goste da pessoa em questão. Chloe chega a humilhar alguns, e com certeza é exagerada em alguns momentos. Poderia ser uma conversa um pouco mais civilizada, se assim posso falar. Aliás, eles entram em momentos “calmos”, então essa explosão de diálogos do nada é no mínimo estranha.

Sobre os puzzles, vou falar na totalidade. Eles são muito fáceis, muito bem sinalizados e não tem nenhum incentivo para você pensar demais. Isso é triste, mas os desafios funcionam bem para o enredo nos momentos em que são usados. Enfim, após todas essas explicações, só me cabe dizer que usaram relativamente bem bem, levando em conta o fato de que o jogador já começa o jogo sabendo parte do final.

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O sistema de escolhas é bom, mas não é tão bem utilizado em algumas vezes.

A duração do jogo é algo bem relativo, depende do jogador. A média, só completando a história principal, é de 10 horas. O fator replay é ótimo, porque a experiência que o jogo traz já compensa qualquer duração possível, mas ele também possui um modo de colecionador. Nesse modo, você explora o mapa em busca de lugares disponíveis para grafitar, e a cada grafite você ganha um troféu. É difícil achá-los e você tem de prestar muita atenção em tudo, mas vale a pena. Esse modo é muito divertido para os que gostam de explorar. Abrir gavetas e afins nunca foi tão divertido.

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A exploração te renderá momentos engraçados também.

Todos os jogos da série têm trilhas sonoras sensacionais e emocionantes. É algo de outro mundo. Nesse não poderia ser diferente, e o bom é que ela transita entre vários gêneros. Vai do heavy metal até o pop em questão de segundos e consegue ser muito natural.

Sobre os efeitos sonoros, são ótimos. O mesmo para a dublagem. Apesar de a dubladora de Chloe ter sido substituída, a nova parece se encaixar muito melhor no papel. Parece que ela exprime muito mais sentimentos. A dublagem toda é muito boa, de qualidade cinematográfica.

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A Chloe é alguém muito instável, então sua dublagem tinha de ser impecável. E é.

A localização do jogo para o Brasil é muito bem feita. Infelizmente não há dublagem em português, mas as legendas são ótimas, porque usam gírias em momentos chave e o vocabulário adolescente de maneira certeira. Como a Chloe é desleixada, certas coisas que ela fala ficaram muito engraçadas por causa da tradução.

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“foi mal tou um bocado ocupada aqui”

Os gráficos são em lowpoly e a direção de arte é satisfatória, mas a qualidade das texturas é terrível, e um jogo atual não poderia permitir isso. Os cenários são bonitos, mas a falta de qualidade das texturas estraga um pouco isso. Outro aspecto notável é que a feição dos protagonistas é ótima, mas a dos coadjuvantes e figurantes é bem mal trabalhada. Alguns NPCs parecem extremamente genéricos. Entretanto, o corpo de todos é bem real.

Já sobre animações, são todas muito naturais. O que mais queria destacar é que o jogo é mal otimizado mesmo com todos esses defeitos. Joguei no Xbox One, e mesmo com gráficos tão medíocres, houveram momentos onde a taxa de quadros por segundo caiu para 15 e se manteve assim por um bom tempo. Além disso, as telas de carregamento são excessivas. Acontecem nas transições in game para cutscenes, e demoram muito. Às vezes até cortam a emoção que estava sentindo, quebrando o fluxo do enredo.

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O gráfico é simples, tem alguns erros, mas consegue ser bonito por vezes.

Life is Strange: Before the Storm é um jogo que te faz refletir sobre ações cotidianas e do passado e sobre o uso de vícios e gatilhos para se sentir preenchido mesmo não estando. Te faz pensar em muitos pontos da sua vida, e liberta — mesmo sem você perceber — seu pior e/ou melhor lado. Além disso, mostra o que o ser humano é capaz de fazer pelo amor.

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As emoções são levadas até o limite.

Todo esse efeito que ele proporciona no jogador é devido a sua belíssima história (mesmo que não tão bem aproveitada em certos momentos) e a uma jogabilidade interessante e inovadora. A Deck Nine Games ficou longe de superar o Life is Strange original, mas criou algo memorável.


Conclusão

Life is Strange: Before the Storm é um jogo que te faz pensar em cada aspecto da sua vida devido a um enredo fortíssimo. Pelo fato de terem em mãos uma história relativamente previsível, os desenvolvedores falharam em vários pontos, mas o jogo não deixa de ser agradável. Apesar de defeitos gráficos e de jogabilidade, esta prequela consegue honrar o nome da série.


O melhor

  • Desenvolvimento e amadurecimento dos personagens
  • Protagonista melhor do que a do antecessor
  • Localização muito bem-feita
  • Trilha sonora

O pior

  • Tudo acontece muito rápido: deveriam ter mais capítulos
  • Mal otimizado e gráficos ruins
  • Telas de carregamento excessivas

7,5/10

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