Análises

Whispering Willows — Análise

Whispering Willows é um jogo indie de horror produzido pela desenvolvedora Night Light Interactive, composta por apenas dois amigos, David Logan e Michael Bellavia, e foi muito premiado na indústria, ganhando em indicações como “melhor enredo” na Casual Connect Indie Prize em 2014. O jogo foi lançado para PC em 9 de julho de 2014, para Playstation 4 e Vita em 30 de junho de 2015, para iOS em 26 de agosto de 2015, para Xbox One em 28 de agosto de 2015, para Wii U em 8 de outubro de 2015 e para Nintendo Switch em 27 de setembro de 2018.

A personagem principal do jogo é Elena Elkhorn, que está a procura de seu pai desaparecido, e assim embarca em uma aventura tenebrosa. Whispering Willows é um jogo de puzzle que enaltece uma história cheia de suspense e mistérios dentro de uma cidade que está claramente assombrada por fantasmas, e seu poder te guiará por caminhos e descobertas, até conquistar seu objetivo (ou não): reencontrar a pessoa que mais ama.

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Embarque em uma onda de mistérios.

O pai de Elena, empregado de uma família rica, misteriosamente some. A filha, sem explicações, tem um colar que a permite sair de seu corpo, assim se tornando em uma alma que consegue conversar com assombrações, se transformar em certos objetos e voar. Essa é a arma principal dela, já que ao chegar na mansão onde trabalhava, cai num buraco e alcança o subterrâneo, logo chegando até todas as outras posses. Todo esse terreno é macabro: cheio de mortos vivos, caixões e todos as categorias de monstros, e combina muito bem com o cenário, que consegue ser tão aterrorizante quanto. Elena, através de cartas, conversas e pistas que são encontradas ao longo da gameplay, tenta descobrir o tão esperado paradeiro para assim salvar seu progenitor.

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O jogo sabe ser amedrontador.

Você, como jogador, precisa reunir indícios para chegar em alguma posição concreta sobre o caso, e as opções para isso ser feito são muito variadas. Você pode interagir com objetos no mapa ou com qualquer NPC, o que leva a que algumas missões secundárias se abram. O jogo te faz explorar esse universo com o seu eu físico e espiritual e você tem de saber em que momentos poderá alternar entre os dois, mas geralmente os dois se complementam para resolver cada puzzle. A parte ruim nisso é que o design de níveis não é muito bom e torna tudo muito mais fácil, porque fica muito explícito o que você precisa fazer na maior parte das fases, apesar de terem algumas que você precisa ler algumas das cartas que você encontra para entender aonde ir, por exemplo.

Em uma das missões (especificamente a única do labirinto do jardim), as salas e seus designs são extremamente malfeitas, o que me levou a ficar extremamente perdido e irritado. Os controles são básicos, e praticamente você só precisa andar e se transformar em sua versão espiritual. A única coisa que achei meio mal organizada foi que o botão de capturar itens era o mesmo de abrir o menu do jogo, e às vezes aconteciam alguns bugs por conta disso. Resumindo, o gameplay do jogo é andar e resolver puzzles facílimos, mas a história do mesmo te mantém entretido do começo ao fim.

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A interatividade com os NPCs é ótima. Nessa foto, achei uma partitura aleatoriamente no chão, e um fantasma a tocou para mim.

Whispering Willows tem mecânicas rasas, apesar de divertidas, e isso faz com que sua duração seja satisfatória. Você pode zerá-lo entre 3 e 5 horas, dependendo do seu estilo de jogo, mas eu particularmente recomendo que, se você for jogar, explore e interaja com tudo que for possível. Essa preocupação que os desenvolvedores tiveram, apesar não ser perfeita, é muito imersiva. Sobre o fator replay, eu julgo-o razoável, porque são poucas as pessoas que jogarão após o término. Acho justo você jogar uma segunda vez se só focou em completar a história principal.

Em qualquer filme ou jogo de terror, um dos focos é a trilha sonora, que torna tudo muito mais tenso. Em Whispering Willows, não é nem um pouco diferente, e apesar de ser levemente genérica, me deu alguns arrepios de vez em quando e claramente intensificou a experiência. Já sobre os efeitos sonoros, achei ruins. Vários objetos ou personagens mereciam mais detalhamento sonoro, se posso assim dizer. Por exemplo, parece que pegaram os sons de caminhada de algum site qualquer, e isso se reflete também nos outros sons. Além disso, percebi certa dessincronização em alguns.

Os gráficos são cartunescos e bem desenhados, porém razoáveis. Julgo que poderiam detalhar mais algumas animações e melhorar algumas colisões. As animações da protagonista quando ela está com medo até mudam, mas nas outras o jogo peca. As poucas cutscenes do jogo são muito prejudicadas, pois parece que os membros dos personagens se teletransportam, não mexem normalmente. Na jogatina em si, são razoáveis. Já sobre cenários, digo que são acurados e dá até gosto de vê-los. São a melhor coisa do design gráfico, apesar de ter erros, como em algumas passagens que são ilustradas de uma maneira consideravelmente estranha.

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Essa porta, por exemplo, era uma passagem, e não faz sentido a opacidade dela estar assim.

Um ponto que me surpreendeu positivamente foram as caixas de texto, que são adoráveis, ao contrário da maioria dos jogos, que trazem elas numa forma monótona.

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A caixa de texto é muito bem animada.

O jogo também é legendado em diversas línguas, mas quando colocada em português, por exemplo, a fonte como um todo apresenta muitos erros por conta dos acentos, que ficam aumentados, e isso não poderia acontecer em hipótese nenhuma.

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Repare nos acentos. Isso é algo que não poderia acontecer em um jogo como esse.

Em geral, Whispering Willows é um jogo que te prende muito do início ao fim, mas que possui falta de preocupação em quase todos os quesitos. Apesar desses erros, demonstro profunda admiração aos desenvolvedores David Logan e Michael Bellavia, que criaram algo muito divertido e com uma ótima história, além de ser muito diferente de qualquer outro título do cenário gamer atual.


Conclusão

Whispering Willows é um jogo muito diferente dos atuais do mercado. Traz uma boa história, mecânicas divertidas (apesar de simples demais) e uma atmosfera aterrorizante, e todas feitas com muito amor pela Night Light. Possui muitos erros, infelizmente, em todos seus pontos, mas vale a pena ser experimentado.

(Cópia para análise gentilmente cedida pela Night Light Interactive)

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