Análises

Slime Rancher – Análise

Certamente você se lembra de quando jogava, dentre os bons e velhos jogos de navegador de sites famosos como “ClickJogos” e “Ojogos”, os simples e divertidos joguinhos que envolviam gerenciamento de recursos, gastavam-se horas jogando aquele tipo de entretenimento rápido,  afinal tais jogos não tinham fim, você compraria todos os upgrades e eventualmente ganharia mais dinheiro apenas para ganhar mais dinheiro depois. Slime Rancher, apesar de ter tido um desenvolvimento um pouco demorado, consegue agarrar tal estilo de jogo com todas a forças e estender o tempo de jogo possível de forma astronômica, apresentando a adorável história de Beatrix LeBeau em sua viagem para um planeta chamado de “Far, Far Range” a uma distância de vários anos-luz da Terra

Parece superficial ao início, o jogador aparece em uma pequena fazenda com um curral já construído após passar um longo tempo em crioestase, chegando rapidamente à descoberta do primeiro tipo de slime, ao encontro de novas localidades e outras mecânicas de jogo, e a cada vez que se encontra uma mecânica nova, a criação da Monomi Park ganha cada vez mais profundidade e uma nova gama de possibilidades. Logo ao se movimentar pela pequena fazenda, é possível ver pequenas criaturas saltitantes estampadas com belos sorrisos, as quais o tutorial irá fazer com que os colete usando a arma de vácuo que a personagem carrega por aí, para então arremessá-los dentro do curral e os dar comida, fazendo com que as criaturas produzam um tipo de cristal  chamado “plort” (interprete como “fezes” se assim preferir), tais plorts podem ser vendidos numa máquina que fica ao lado da casa no pequeno rancho, para assim começar a ganhar dinheiro.

Até parece engraçado vender fezes de animais sorridentes.

O jogo te incentiva a sair e explorar – a coisa que mais se faz nesse jogo – com o objetivo de encontrar e desbloquear novas áreas e descobrir novos tipos de slime, cujos “plorts” dão mais dinheiro que o convencional, fazendo com que a mecânica incite um desejo quase incessável de buscar cada pedaço de terreno que Slime Rancher tem a oferecer, apenas para encontrar novas variedades de alimentos e criaturas, mas verdadeira exploração começa assim que se encontra o primeiro slime gigante (carinhosamente apelidados de “Gordo Slimes” pelo jogo), o qual deverá ser alimentado. Assim que o jogador alimentar o Gordo Slime com o tipo correto de comida e em quantidade suficiente, algo entre 30 e 50 unidades, ele irá explodir, dropando cerca de 10 slimes do tipo correspondente, 3 caixas de loot e uma chave especial (alguns gordos criam um portal de teletransporte ao invés de chaves), a qual será usada para desbloquear o acesso a outras partes e biomas do mapa, levando à descoberta de mais Gordos e teletransportes.

Um dos pontos que mais impressiona no game se trata da intuitividade presente, o jogo consegue te levar de um canto a outro mapa e a fazer objetivos específicos – como alimentar os Gordo Slime – sem dar qualquer dica ou dizer palavra alguma, apenas deixando os caminhos ligeiramente mais evidentes, além de ter um mapa disponível ao se pressionar “M”. Além da intiutivudade, a diversidade também é bem marcante aqui, os diferentes tipos de slime spawnam em locais e condições determinadas, e alguns deles dependem de condições específicas para sobreviver ou cuidado para manejá-los, pois alguns são radioativos, outros explodem, outros morrem quando expostos a luz solar, e há uma espécie que só consegue sobreviver em ambientes aquáticos, e essas são características que levam o jogador a ter cuidado em seu controle e aquisição, levando-o também a coletar amostras da flora local e plantá-las na fazenda para que se alimente os slimes recém adquiridos.

As atualizações são muito bem planejadas, os currais que contêm os slimes podem ser atualizados com vários itens úteis, dentre eles: Paredes mais altas, sistema de som para acalmar os slimes (eles costumam tentar fugir quando ficam com fome), teto, filtro de luz solar, coletor de plorts e sistema de alimentação automático, assim como podem ser construídos lagos, silos de armazenagem, galinheiros, plantações e incineradores. Além de atualizar sistemas já existentes, há a necessidade de comprar áreas adjacentes à fazenda, sendo o depósito científico uma das mais interessantes, pois nele o jogador pode criar diferentes tipos de gadgets para satisfazer diferentes necessidades, e dentre essas criações estão extratores, utilidades, teletransportes colocáveis, decorações, brinquedos e jogos, todos feitos através do uso da refinaria e do fabricador (não chega a ser muito mais que uma mecânica de crafting retrabalhada). Mas não se engane, não são apenas as construções que podem ser atualizadas, a personagem também tem suas próprias atualizações, sendo elas: Ampliação de vida, ampliação de energia, jetpack, aumento do armazenamento da arma de sucção/vácuo, entre outros upgrades.

Apesar de parecer um jogo que consiste apenas em buscar dinheiro e parecer um capitalista psicopata, há uma história. Ao se acessar os pequenos hologramas na forma de um “H” amarelo espalhados pelo mapa, é possível descobrir aos poucos partes da história do último fazendeiro que vivia naquele local, algumas vezes citando histórias ou fatos interessantes sobre os biomas e slimes de cada local, assim como, ao entrar na casa da fazenda e ler as mensagens que chegam na caixa postal, é possível também descobrir sobre a história e trajetória da própria personagem que é controlada. A história acaba por se mesclar com a gameplay de forma simples, cativante e interessante, dando ainda mais profundidade ao jogo.

No final, tudo tem seu devido lugar.

Por fim, o mapa é muito bem detalhado, a tematização fofinha realmente se encaixa bem com cada área, criando um estilo gráfico único, sendo que o foco aqui não é ser o mais real possível, mas sim a criação de ambientes com texturas riquíssimas em detalhes, uma geometria pouco complexa mas bem trabalhada, e uma definição incrível. Apesar de a qualidade gráfica ser um pouco exigente, a obra da Monomi Park é bem otimizada e roda em alguns computadores mais simples, sendo os requerimentos mínimos quaisquer dual cores acima de 2,2GHz de processamento e 4GB de RAM com 512MB de memória de vídeo na qualidade mais baixa, fazendo com que o jogo fique com uma boa aparência rodando em PCs mais modestos e não exigindo muito das melhores máquinas caso se deseje colocar os gráficos no máximo. Assim como o restante do jogo, a trilha sonora é composta por uma música agradável e melódica, com efeitos sonoros bem produzidos, engraçados e fofinhos.

Até aqui, é fato que o jogo provavelmente não tem quaisquer defeitos (a não ser que alguém realmente não goste do estilo, gosto é gosto), e clama por longos períodos na frente do computador, o jeito que o jogo te guia até o final é fantástico, e o sentimento de gratificação ao termina-lo é amplificado pelas frases apresentadas ao seu término.

Conclusão

Com jogabilidade simples e agradável e com mecânicas muito bem planejadas e que se correlacionam muito bem, a única coisa que você vai perder é uma grande quantidade de tempo, mas vale a pena para ver um monte de bolas de gel fofinhas e sorridentes.

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